ESCLEROSE MÚLTIPLA E EXERCÍCIO FÍSICO

04.11.20

O exercício físico é, sem dúvida, um tratamento que deverá acompanhar qualquer doente com Esclerose Múltipla, uma vez que permite uma recuperação mais rápida e completa de sintomas novos que surgem no surto, mas também uma melhoria do desempenho funcional e melhoria da performance física, diminuindo a fadiga.

 

O QUE É?
A Esclerose múltipla (EM) ou Esclerose em Placas é uma doença inflamatória e degenerativa do sistema nervoso central (SNC) que afeta sobretudo adultos jovens sendo a causa mais comum de morbilidade do jovem adulto, excetuando os acidentes de viação.
De acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que em todo o mundo existam cerca de 2,5 milhões de pessoas com EM e em Portugal existam cerca de 8000 doentes com EM.
Os sintomas apresentados pelos doentes podem ser sensitivos (dormência, queimadura, picadas), motores (fraqueza ou falta de força em alguma parte do corpo), coordenação (desequilibrio, tremores dos membros, instabilidade postural), cognitivos (falta de memória, dificuldade de concentração, alteração do humor), visuais (perda de visão num olho ou visão dupla), dificuldade no controlo exfincteriano, sexual e fadiga. A fadiga é um sintoma muito importante e mal compreendido, manifestando-se por um cansaço superior ao normal para aquela atividade, e exigindo periodos de repouso para recuperar.
 
TRATAMENTO
O tratamento da EM é multidisciplinar incluindo terapêutica médica, fisioterapia e/ou exercicio fisico e outras abordagens consoante a sintomatologia expecifica de cada doente.
O tratamento de Esclerose multipla é médico, com fármacos imunomoduladores que alteram a historia natural da doença, diminuindo os surtos e a acumulação de incapacidade ao longo dos anos.
 
EXERCÍCIO FÍSICO E A ESCLEROSE MÚLTIPLA
A EM é uma doença caracterizada pela sua diversidade e imprevisibilidade, o que implica uma avaliação individualizada. No que diz respeito ao exercício físico, é preciso estar atento a vários aspetos como a gravidade da doença, o tipo de EM, idade, objetivos dos tratamentos, grau de deficiência, incapacidade, desvantagens e a qualidade de vida.  
Tal como se diz em relação ao exercício físico, cada caso é um caso e, no que diz respeito à EM, o mesmo acontece. Cada doente vai ter os seus sintomas da doença. 
É com a maior parte dos doentes ainda capacitados que acontecem os resultados mais esperados. O exercício Físico ajuda na redução da fadiga, aumenta a capacidade de resposta a um estímulo, diminui o desequilíbrio e, consequentemente, o risco de quedas.

Nas duas últimas décadas, programas que incluem exercícios de fortalecimento muscular, exercícios aeróbios, atividades em meio aquático e ioga têm-se mostrado seguros e eficazes para pessoas com esclerose múltipla.

Vários estudos sobre EF na EM recomendam a realização de exercício aeróbio de intensidade moderada com um total de 20 a 30 minutos por sessão, alternando com períodos de descanso, duas a três vezes por semana. 

O Treino de resistência com baixa ou moderada intensidade é bem tolerado pelos pacientes com EM.
Associados a estes exercícios foram recomendados exercícios de flexibilidade de intensidade moderada, bem como exercícios de fortalecimento.

O programa de exercício deverá ser constituído por 4 a 8 tipos de exercícios diferentes, numa primeira abordagem, devem ser ser solicitados grandes músculos e, só depois pequenos músculos.
O número de séries de exercícios deverá iniciar com 1- 3 séries, aumentando progressivamente para 3-4 séries. O descanso entre as séries de exercícios deverá ser de pelo menos 1 minuto.

O exercício físico é, sem dúvida, um tratamento que deverá acompanhar qualquer doente com EM, uma vez que permite uma recuperação mais rápida e completa de sintomas novos que surgem no surto, mas também melhoria do desempenho funcional e melhoria da performance física, diminuindo a fadiga.

 

Notas:
- É importante saber quais as dificuldades do cliente para ser possível prescrever um treino adequado porque, como já sabemos, cada caso é um caso. Se necessário, podemos realizar alguns testes como: caminhar numa linha reta, subir e descer um step ou manter o equilibrio numa plataforma instável. 
- É importante, como profissional de exercício físico, acompanhar de perto o doente e tentar saber o seu estado regularmente. Os sintomas podem alterar e, igualmente, o plano de treino também altera.

 

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Fábio Serrano


Referências:
https://www.researchgate.net/publication/232180877_
Exercise_Guidelines_for_Persons_With_Multiple_Sclerosis

ACSM’s Guidelines for Exercise Testing and Prescription

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